sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Religiões de matriz africana no Brasil

Hoje, dia 20 de novembro, é o Dia Nacional da Consciência Negra, dia que coincide com a morte de Zumbi dos Palmares, falecido em 1695. Aproveitando a deixa, farei uma análise das religiões de matriz africana no Brasil.
O Brasil tem uma minoria significante de seguidores de religiões de matriz africanas, muitas vezes trazidos pelos escravos (como o candomblé) e outras criadas no Brasil (como umbanda). Ainda há outras, como quimbanda, mas que são menores. Mas surgem algumas questões: como os fiéis são distribuídos? Quantos existem no Brasil? Qual o lugar com mais seguidores dessas religiões? E com menos seguidores?
Primeiro, é preciso dizer que religião no Brasil é um assunto complexo, afinal há muito sincretismo, muitas pessoas se identificam e/ou participam de ritos de mais de uma religião. Mas o critério utilizado será de autodeclaração, com dados tirados do Censo de 2010, pois apesar do sincretismo, é a base de dados mais completa acessível.
A divisão será feita tal qual a divisão que o IBGE usa: dividir as religiões em candomblé, umbanda e outras. Agora vejamos como é a distribuição dos seguidores de umbanda no Brasil.

Tabela 1 - Municípios com mais seguidores de umbanda no Brasil
Como pode ser notado, um domínio gigantesco do estado do Rio Grande do Sul. A cidade mais umbandista do Brasil é Cidreira, com 5,83% da população sendo seguidora da umbanda. O RS tem um total de 10.693.929 seguidores, com 140.314 seguidores da umbanda - um total de 1,31%. Enquanto no Brasil temos 407.333 (34,44% dos brasileiros umbandistas vivem no RS) umbandistas, um total de 0,21% da população. Sem contarmos o Rio Grande do Sul, a taxa de umbandistas cai para 0,14%, com a taxa do RS sendo 6,14 vezes maior que a do Brasil como um todo e 8,84 vezes maior que do Brasil sem o RS. Mas qual a cidade e região menos umbandista no Brasil?
Existem 4.267 municípios no Brasil sem nenhuma pessoa autodeclarada umbandista (76,67% dos municípios pesquisados no país). Somando todos estes municípios, temos 57.115.004 habitantes, um total de 29,94% da população brasileira. Como a lista seria grande demais, pegaremos os 25 maiores municípios nesta condição.

Tabela 2 - Municípios com menos seguidores de umbanda no Brasil
Temos como maior município sem umbandistas Governador Valadares, em Minas Gerais, com pouco mais de 260 mil habitantes. Temos mais 13 municípios sem nenhum umbandistas. Mas falando de candomblé, a situação muda, e sua geografia também.

Tabela 3 - Municípios com mais candomblés no Brasil
O município mais candomblé no Brasil é Itaparica, na Bahia. Se nota um domínio baiano muito grande na lista. A Bahia, que tinha 14.016.906 habitantes segundo a Censo de 2010, tinha na mesma época 40.299 seguidores da candomblé, 0,29% da população. Uma análise nacional acha 167.366 seguidores (a Bahia concentra 24,07% dos brasileiros que seguem esta religião), 0,09% da população.  Retirando a Bahia, a taxa de candomblés no Brasil cai para 0,07%. A taxa de candomblés na Bahia é 3,27 vezes da taxa do Brasil como um todo e 3,99 vezes a taxa do Brasil sem a Bahia. No total, existem 4720 municípios no Brasil sem candomblés (84,81% dos municípios) onde vivem 72.238.583 pessoas (37,86% da população do país). Os casos mais extremos são vistos na tabela a seguir:

Tabela 4 - Municípios com menos candomblés no Brasil
O maior município do país sem candomblés é Aparecida de Goiânia, com mais de 450 mil habitantes. Todos os 25 maiores municípios brasileiro nesta condição têm mais de 100 mil habitantes.
Agora, a última categoria utilizada pelo IBGE é o "outras declarações de religiões afrobrasileiras". Estas são muito mais restritas e com menos seguidores, como veremos a seguir:

Tabela 5 - Municípios com mais seguidores de outras religiões afro no Brasil
Como podemos ver, em apenas um município do país temos mais de 0,5% da população seguindo estas religiões: Conquista D'Oeste, no Mato Grosso. No entanto, os poucos lugares do país em que há seguidores desta religião, a maioria está no Rio Grande do Sul. Enquanto no Brasil temos apenas 14.109 seguidores destas religiões (menos de 0,01% da população, no entanto usarei números arredondados para as porcentagens, no Rio Grande do Sul temos 8.847 destes (62,70% do total do país), um total de 0,08% da população. Excluindo o Rio Grande do Sul, temos 0,002% da população seguindo estas religiões. A taxa do Rio Grande do Sul é 11,18 vezes maior que o Brasil como um todo e 28,30 vezes maior que no Brasil sem o Rio Grande do Sul.

Tabela 6 - Municípios com menos seguidores de outras religiões afro no Brasil

Temos 5.402 municípis brasileiros (97,07% do total) sem nenhum seguidor desta religião, onde vivem 128.371.551 pessoas (67,29% da população do país). O maior lugar sem nenhum destes é Guarulhos, seguido de Campinas - os dois municípios com mais de um milhão de habitantes.
Somando os três "ramos" considerados pelo IBGE, como fica o resultado?

Tabela 7 - Municípios com mais seguidores de outras religiões afro no Brasil
Novamente, um domínio gaúcho, explicado pelo fato da umbanda e outras religiões afros (mais concentradas no RS) serem mais de 150% maiores que o candomblé. O município com mais seguidores de religiões afro é, novamente, Cidreira, que tem 5,87% dos habitantes nestas condições. O Brasil como um todo tem 588.808 seguidores destas religiões, 0,31% da população. No RS, temos 157.599 seguidores destas religiões - 1,47% da população. Descontando o RS, temos 0,22% da população nesta condição. A taxa de seguidores no RS é 4,77 vezes maior que no Brasil como um todo e 6,51 vezes maior que no Brasil sem o RS. Mas quais as maiores cidades em que essas religiões são menos praticadas?

Tabela 8 - Municípios com mais seguidores de outras religiões afro no Brasil
Existem muito municípios sem nenhum seguidor de religiões de matriz africana no Brasil, o maior sendo Ibiraté, no Maranhão, havendo mais sete na mesma condição com mais de 100 mil habitantes. Mas considerando o total, temos 3.968 municípios no país (71,30% do total) sem nenhum seguidor dessas religiões, nos quais vivem 49.372.671 pessoas (25,88% do total). Fica a conclusão que existem no Brasil mais de meio milhão de pessoas destas religiões e a constatação que o RS, embora seja lembrado pela sua maior herança italiana e alemã, um real centro de cultura e religião afrobrasileira no Brasil.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Relações entre gênero e renda no Brasil - uma análise

Não é segredo para ninguém que mulheres ganham em média menos no Brasil, fato relatado também em outras fontes. Mas como é essa relação? Como ela se distribui no território brasileiro? Há exceções à essa regra?  Essas e outras questões procurarão ser respondidas no decorrer desta postagem - que não pretende falar em nome de ninguém, mas fazer uma simples análise de dados e interpretação.
Todos os seguintes dados foram retirados do relatório do Censo de 2010 feito pelo IBGE.
Primeiro, vejamos dados gerais.

Tabela 1 - Municípios com maior rendimento médio
Estes são os municípios brasileiros com maior rendimento médio, num geral, sem distinção por gênero. Se nota uma grande presença de capitais de unidades federativas, mas as duas cidades com maior renda são do interior: Santana de Parnaíba (SP), com rendimento médio mensal de R$ 2.814 e Niterói (RJ), com rendimento médio mensal de R$ 2.635. Há mais 11 municípios no país com rendimentos médios maiores que R$ 2.000. Um grande predomínio de cidades das regiões Sul e Sudeste.

Tabela 2 - Municípios com menor rendimento médio
Vendo os municípios com menor rendimento médio (concentrados na região Nordeste com um caso na região Norte), se nota uma valor muito pequeno, sendo todos os casos com valores menores que apenas R$ 400 mensais. Ao fazermos uma média do país inteiro, temos um rendimento médio de R$ 1.144 (ainda que haja grandes variações, de até 732% entre os valores extremos).
Analisando agora dados por gênero:

Tabela 3 - Municípios com maior rendimento médio feminino
Ao analisarmos a lista dos municípios com maior rendimento médio feminino, vemos a inclusão de Cuiabá e Rio de Janeiro na lista, embora a mesma seja muito semelhante à lista dos municípios com maior rendimento médio independente de gênero. Se nota que em apenas três municípios do país pagam, em média, mais de R$ 2.000 às mulheres: Niterói, Brasília e Santana de Parnaíba (os três primeiros que mais pagam no geral, mas com ordem diferente).

Tabela 4 - Municípios com menor rendimento médio feminino
Vendo a tabela 4, vemos como a lista é semelhante à dos municípios em que as pessoas recebem menos, apesar de algumas diferenças. Se nota que no caso mais extremo - Satubinha, no Maranhão - o rendimento médio feminino é incrivelmente menor que R$ 300 mensais. Em nenhum dos citados a renda média feminina supera os R$ 330. A média nacional feminina é de R$ 956 - 16,43% abaixo da média nacional.

Tabela 5 - Municípios com maior rendimento médio masculino
Analisando a lista dos municípios brasileiros em que homens mais recebem, novamente a lista é parecida, mas algumas cidades muito pequenas (como Lajeado Grande-SC e Nova Bréscia-RS) surgem. O maior da lista é Santana de Parnaíba, com rendimento médio masculino mensal de R$ 3.630. Em Niterói e São Caetano do Sul também o rendimento médio masculino é superior a R$ 3.000 por mês. A maior renda média feminina aparecia apenas no fim da lista, enquanto 23 municípios aparecem acima dos médios R$ 2.176 pagos à mulheres em Niterói.

Tabela 6 - Municípios com menor rendimento médio masculino
Tendo mais caras novas em relação à lista de municípios em que o rendimento é menor no geral, é notada uma grande diferença: a menor renda média masculina do país é de Caraúbas do Piauí, com R$ 361 mensais. Esse valor é maior que qualquer valor da lista de menores salários médios femininos - se comparado em valores brutos, chegamos à conclusão que no município em que os homens ganham menos, o rendimento dos mesmos é maior o rendimento feminino médio que em 165 municípios espalhados pelo país. A renda média masculina no país é de R$ 1.340, 17,13% maior que média nacional independente de gênero e 40,16% maior que a renda média feminina.
Comparando com o salário mínimo atual - R$ 788,00 - vemos que 3.100 municípios (onde vivem 50.925,895 pessoas, 26,69% da população brasileira) têm renda média menor que o salário mínimo. Mas se colocarmos a questão de gênero em conta, os dados mudam. Em 4.446 municípios (lares de 76.449.074 pessoas, constituindo 40,07% da população brasileira) a renda média é feminina é menor que o salário mínimo (se usarmos a renda média masculina, o número cai para 2.396 municípios, onde moram 39.030.594 pessoas, equivalendo a 20,46% da população do país.
Listando municípios em que a renda média feminina é menor que o salário mínimo e a masculina não, temos 2.047 municípios, com um total de 37.331.963 habitantes. 19,57% da população brasileira, em termos relativos. Mas se procurarmos o contrário - municípios em que a renda média feminina é maior que o salário mínimo e a masculina não - achamos apenas um exemplo: Barão do Triunfo, no RS, onde mulheres ganham exatamente o salário mínimo e homens 3 reais a menos. Esta pequena cidade gaúcha equivale a apenas 0,003% da população do país.

Tabela 7 - Municípios com maior razão entre rendimentos médios masculinos e femininos
A razão considerada na tabela 7 é medida dividindo o rendimento médio masculino da cidade pelo rendimento médio feminino da cidade. Quanto maior, mais desigual a favor dos homens; quanto menor, mais desigual a favor das mulheres; quanto mais próximo de 1, mais igual. O município líder é Lajeado Grande-SC, com a  razão de 3,01. Isto é: neste município, o homem ganha em média três vezes o que ganha a mulher - 201% a mais. Analisando outros municípios, os mais desiguais do país em favor do homem todos pagam mais que 100% de diferença: há 45 municípios no Brasil com essa taxa ou maior.

Tabela 8 - Municípios com menor razão entre rendimentos médios masculinos e femininos
Esta tabela mostra a situação contrária: em que municípios as mulheres ganham em média mais que o homem (e alguns em que a situação é muito parecida, ainda que os homens recebam pouco mais). O município em que a mulher é mais favorecida em questão de salário é Isaías Coelho, no Piauí. Ali, o homem recebe 11% a menos que a mulher em média. Enquanto a razão média do país como um todo é de 1,40, na análise dos dados foram notados 12 municípios no qual a mulher mais que o homem - nos quais vivem 82.226 pessoas, ou 0,04% da população brasileira. Um único município do país - Calçado, no Agreste Pernambucano - paga o mesmo salário médio a pessoas de ambos os gêneros. Mas a situação amplamente dominante é o homem ganhar mais que a mulher. É mais comum em 5552 municípios - nos quais vivem 190.662.448 pessoas - 99,95% da população do país.
O próximo aspecto considerado é o peso da renda de cada gênero na economia local e do país.

Tabela 9 - Municípios com maior peso masculino na renda geral
Sendo que além da renda média ser diferente entre gêneros, muitas vezes a proporção de homens para mulheres pode variar - em alguns casos em números extremos, como o município de Balbinos, em São Paulo, onde mais de 80% da população é masculina. Isto faz com que a peso de cada gênero seja diferente para a economia local. E isto é evidenciado na tabela 9. Usando os municípios com maior peso masculino - em geral, municípios com população masculina sensivelmente maior, apesar de alguns casos sem isso, como Lajeado Grande  - vemos que mais de 70% dos lugares é de origem masculino. O caso mais extremo, o de Balbinos, tem 86,25% da renda provinda de homens.

Tabela 10 - Municípios com menor peso masculino na renda geral
No entanto, notamos alguns poucos exemplos do contrário: mulheres tendo um peso maior na economia local que homens. Oito municípios estão nesta lista - curiosamente, quase todos na região Nordeste. O com maior peso feminino é Isaías Coelho, com 52,71% de peso feminino na renda local. Fazendo uma estatística geral do país, temos 42,65% da renda vindo do gênero feminino e 57,35% vindo do gênero masculino, ainda que a população masculina seja maior. Isto evidencia o último critério a ser análise: falha de paridade.
A falha da paridade é a diferença entre a participação do gênero na renda e sua % da população - isto é, ver se a renda confere à realidade estatística da população.

Tabela 11 - Municípios com maior participação masculina na renda que sua parcela na população
Lajeado Grande, seguida de Ipiranga do Sul, têm a maior falha de paridade: 24,90% e 24,18%, respectivamente. Em Lajeado Grande, 50,74% da população é responsável por 75,63% da renda local. Em Ipiranga do Sul, onde a população masculina e feminina são iguais, a participação masculina beira os 75%.

Tabela 12 - Municípios com maior participação masculina na renda que sua parcela na população
Olhando o contrário: municípios com maior representação feminina que sua parcela da população encontramos 12 casos e um caso neutro - onde a representação feminina na população e na renda local é exatamente a mesma: Calçado. Somando todas as falhas de paridade chegamos ao incrível número de 45.574,51%. Um média de 8,18% para cada município brasileira. Erro este, na enorme maioria dos casos, favorecendo a participação masculina na renda local.
Dúvidas? Sugestões? Correções? Comenta aí!

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Eleições e legitimidade

Depois das eleições presidenciais do Brasil em 2014, houve nas redes sociais várias postagens insinuando que o governo Dilma não é legítimo pois o número de eleitores somados que não votaram nela é maior que o número de eleitores que votaram nela, portanto "a maioria dos brasileiros não quer Dilma". As eleições não funcionam assim, vence quem tiver o maior número de votos válidos (isto é, votos não-brancos e não-nulos), mas se fosse diferente? Aqui vou analisar todas as eleições presidenciais desde 1989 usando cinco métodos diferentes para contagem de votos:
1) Considerar todos os eleitores e quem tiver mais de 50% é eleito;
2) Considerar todos os eleitores que votaram (descontando os que se abstiveram de votar) e quem tiver mais que 50% é eleito;
3) Considerar todos os votos válidos e brancos e quem tiver mais que 50% é eleito;
4) Considerar todos os votos válidos e nulos e quem tiver mais que 50% é eleito;
5) Considerar apenas os votos válidos e quem tiver mais que 50% é eleito;
A primeira eleição a ser analisada é a de 1989, no segundo turno, disputado entre Lula e Fernando Collor.


Fernando Collor teve um total de 35.089.998 votos contra 31.076.364 votos de Lula, 986.446 votos em brancos, 3.107.893 votos nulos e 11.814.017 abstenções. Usando o critério 1: Collor teve 42,75% dos votos contra 37,86% de Lula (1,20% de votos em branco, 3,79% de votos nulos e 14,39% de abstenções), portanto Collor não seria eleito.
Usando o critério 2: descontadas as abstenções, Collor teve 49,94% dos votos totais, Lula teve 44,23%, 1,40% de votos em branco e 4,42% de votos nulos, portanto, Collor não seria eleito.
Usando o critério 3: Collor teria 52,25% dos votos, Lula teria 46,28% e 1,47% de votos brancos, portanto, Collor seria eleito.
Usando o critério 4: Collor teria 50,65% dos votos, Lula teria 44,86% dos votos, 4,49% seriam nulos, portando Collor seria eleito.
Usando o critério 5: este é o critério utilizado pelas eleições. Collor teria 53,03% dos votos e Lula 46,97% dos votos, portanto, Collor seria eleito.
A próxima eleição é a de 1994. Esta não precisou de segundo turno, pois o candidato FHC ganhou ainda no primeiro turno (fazendo mais de metade dos votos válidos).


FHC teve um total de 34.350.217 votos, contra 28.935.416 dos outros candidatos somados (dos quais se destacou Lula). Votos em branco foram 7.191.856, nulos foram 7.443.144 e houve 16.833.946 abstenções. Calculando pelo primeiro critéiro, temos os seguintes números; 36,25% dos votos para FHC, 30,54% para outros candidatos, 7,59% brancos, 7,86% nulos e 17,77% de abstenções, portanto, FHC não seria eleito.
Já pelo segundo critério, FHC teria 44,08% dos votos, os outros teriam 37,13%, 9,23% de brancos e 9,55% de nulos, não elegendo FHC.
Com o critério 3 sendo utilizado, FHC teria 48,74% dos votos, os outros candidatos teriam 41,06% e 10,20% em branco, não elegendo FHC.
No quarto critério, números muito parecidos. 48,57% para FHC, 40,91 para os outros e 10,52% nulos, novamente, FHC não seria eleito.
Pelo quinto critério, o real, FHC teve 54,28% dos votos válidos contra 45,72% do resto, resultando em FHC sendo eleito.
Na eleição de 1998, tivemos o mesmo cenário: FHC ganhando em primeiro turno (novamente com Lula em segundo).


Votos para o então presidente da república FHC foram 35.936.540, 31.786.025 para o resto dos candidatos, 6.688.612 votos brancos, 8.884.426 nulos e 22.798.904 ausências (um número muito alto). Se utilizarmos o primeiro critério, FHC teria 33,87% dos votos, os outros teriam 29,96%, em branco seriam 6,30%, nulos seriam 8,37% e abstenções 21,49%. Com pouco mais de um terço da preferência dos eleitores, FHC não seria (re)eleito.
Mas se o critério utilizado for o segundo, o cálculo muda. FHC levaria 43,14% dos votos, os outros levariam 38,16%, 8,03% seriam em branco e 10,67% nulos. se nota um alto número de eleitores não querendo votar em nenhum candidato. Com este resultado, FHC não se elegeria.
Partido para o terceiro critério: 48,29% para ele, 42,72% para o resto dos eleitores e 8,99% de votos em branco, não elegendo FHC.
Pelo quarto critério, 46,91% para FHC, 41,49 para os outros candidatos e 11,60% de nulos, não dando a eleição para FHC.
Considerando apenas os votos válidos (critério 5), FHC teve 53,06% contra 46,94%, configurando vitória de FHC.
Em 2002, voltamos a ter segundo turno, com a boa vitória lulista contra José Serra, do PSDB.


No segundo turno, Lula fez um total de 52.793.261 votos, Serra fez 33.370.723 votos, 1.727.759 foram em branco, 3.772.134 foram nulos e abstenções foram 23.589.072. Se o primeiro critério for utilizado, Lula fez 45,81% dos votos, Serra fez 28,95%, apenas 1,50% foram em branco, 3,27% foram nulos e 20,47% não votaram, fazendo com que Lula não fosse eleito.
Mas o cenário muda se utilizarmos o critério 2: Lula receberia 57,59% dos votos, Serra receberia 28,95%, em branco seriam 1,88% e nulos 4,12%, o que significa que Lula seria eleito.
Se o critério utilizado for o terceiro, Lula vence por 60,07% contra 37,97% de Serra e 1,97% de nulos, então Lula seria eleito.
Utilizando o critério 4, Lula teria 58,70%, Serra teria 37,10% e nulos seriam 4,19%, dando a vitória a Lula.
No critério de verdade (o quinto), Lula venceu por 61,27% a 38,73% e Lula foi eleito.
Em 2006, novamente segundo turno entre PT e PSDB, desta vez entre Lula e Alckmin.


No total: 58.295.042 votos para Lula (recorde até hoje), 37.543.178 votos para Alckmin, 1.351.448 votos em branco, 4.808.553 votos nulos e 23.914.714 de abstenções. Se o critério utilizado for o primeiro, Lula teria 46,30% dos votos, Alckmin teria 29,82%, em branco seriam 1,07%, nulos seriam 3,82% e abstenções 18,99%, significando que Lula não teria sido eleito.
Já se utilizarmos o critério 2, Lula teria levado 57,15% dos votos, 36,81% dos votos para Alckmin, 1,32% em branco e 4,71% nulos, elegendo Lula;
Terceiro critério em ação: 59,98% para Lula, 38,63% para Alckmin e 1,39% em branco, fazendo com que Lula seja eleito.
Com o quarto critério em uso, teríamos 57,92% para Lula, 37,30% para Alckmin e 4,78% de votos nulos, elegendo Lula.
Usando o critério 5, Lula seria eleito com 60,83% contra 39,17% do seu oponente.
Em 2010 novamente tivemos segundo turno: Dilma Rousseff do PT contra José Serra do PSDB.


Tivemos um total de 55.752.483 votos para Dilma, 43.711.162 para Serra, 2.425.594 votos brancos, 4.689.397 votos nulos e 29;196.864 (outra abstenção muito alta). Utilizando o primeiro critério: Dilma teria 41,06% dos votos, Serra teria 32,19%, votos em branco seriam 1,79%, nulos seriam 3,45% e abstenções 21,50%, portanto, Dilma não seria eleita.
Se o critério utilizado for o segundo, Dilma teria 52,31% dos votos totais, Serra teria 41,01%, em branco seriam 2,28%, nulos seriam 4,40%, fazendo com que Dilma fosse eleita.
Usando o terceiro critério, Dilma leva 54,72% dos votos, Serra leva 42,90% e os brancos seriam 2,38%, caracterizando eleição de Dilma.
Se a proposta utilizada for a quarta, Dilma teria 53,53% dos votos, Serra teria 41,97% e 4,50% seriam nulos, caracterizando novamente vitória de Dilma.
Se usado o quinto critério, vitória dilmista por 56,05% a 43,95%.
Chegando à última e mais atual eleição: 2014. Dilma contra Aécio Neves, do PSDB.


No total, temos os seguintes números: 54.501.118 votos para Dilma, 51.041.155 votos para Aécio, 1.921.819 votos em brancos e 5.219.787 votos nulos, com 30.137.479 abstenções. Usando o critério 1, temos 38,16% para Dilma, 35,74% para Aécio, 1,35% em branco, 3,65% nulo e 21,10% de abstenções, não elegendo Dilma.
Se a proposta utilizar for a 2, temos os seguintes dados: 48,37% para Dilma, 45,30% para Aécio, 1,71% em branco e 4,63% nulos, não dando a eleição à Dilma.
Utilizando o terceiro método, temos 50,72% para Dilma, 47,50% para Aécio e 1,79% em branco, dando a vitória para Dilma.
Com o quarto critério, Dilma leva 49,21% contra 46,08% de Aécio (com 4,71% de votos nulos), não elegendo Dilma.
Com o critério utilizado nas eleições, Dilma leva a vitória com 51,64% contra 48,36%.
Vemos o geral da situação no seguinte quadro-resumo:


Alguma dúvida, sugestão, correção, crítica ou algo mais fiquem a vontade nos comentários.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Que partido mais governou o Brasil?

Esta postagem busca responder a seguinte pergunta: que partido mais governou o Brasil? Por quanto tempo? Comecemos com a tabela dos presidentes, seu tempo de governo e o partido:

Tabela 1 - Presidentes, tempo de governo e partido
Algumas observações devem ser feitas quantos aos partidos. A primeira é sobre o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Democrático (PSD). Eram dois dos principais partidos do Brasil nas décadas de 1940, 1950 e 1960. O PTB, de Getúlio Vargas, foi o principal representante do trabalhismo no Brasil. Com o advento do AI-2 em 1965, todos os partidos foram extintos. No começo da década de 1980, quando foi permitida a criação de novos partidos, o PTB foi refundado, mas sob briga. Leonel Brizola, principal herdeiro político de Getúlio Vargas, entrou na justiça contra Ivete Vargas (sobrinha de Getúlio) para ver quem criava o partido chamado PTB. Ivete ganhou e Brizola fundou o PDT. O PSD foi também refundado e acaba sendo incorporado ao PTB. Em 2011 foi fundado um novo PSD, mas este não é continuação do anterior. 
O Partido Social Progressista (PSP) era o partido do político paulista Adhemar de Barros. Após a redemocratização, foi refundado pelo jornalista Marronzinho. Adhemar de Barros Filho, inconformado com a situação, forma o PRP (Partido Republicano Progressista), que é mais próximo do PSP antigo.
O Partido Trabalhista Nacional, de Jânio Quadros, foi refundado em 1995 e ainda existe. Em 1966, é fundada a ARENA, partido de sustentação do governo da ditadura militar. Com a volta do multipartidarismo, parte do partido sai para fundar o PFL (que depois viria a ser DEM), enquanto a ARENA vira o PDS - Partido Democrático Social. Em 1993, o PDS é fundido com o PDC (Partido Democrata Cristão), do ainda então desconhecido José Maria Eymael para formar o PPR - Partido Progressista Reformador - que em 1995 muda para PPB - Partido Progressista Brasileiro - e em 2003 para PP - Partido Progressista, ainda ativo até hoje.
O fato de Getúlio Vargas governar durantes anos sem partido foi devido ao Estado Novo, regime ditatorial imposto por Getúlio no qual partidos políticos foram abolidos. Segue a tabela com os partidos por tempo de governo em ordem decrescente:

Tabela 2 - Partidos que mais governaram
O PRM governou por muito tempo, no esquema da política do café-com-leite, sendo o partido que mais governou, também notando muito tempo ser governado por um partido específico (principalmente devido ao Estado Novo. No entanto, se considerarmos Brasil Império o "Sem Partido" sobe para a liderança com muita folga"), Desde a redemocratização (1985 em diante), apesar do PMDB ser o partido mais forte no parlamento, se nota que o PT (que está no seu décimo terceiro ano seguido de governo) é o partido que mais governou nesse período de tempo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Desigualdade e desenvolvimento

Muito se fala no Brasil da relação entre desigualdade econômica e violência, desigualdade econômica e desenvolvimento, há quem advogue que a relação entre ser mais igual e ser mais desenvolvido é intrínseca, embora também haja quem advogue que não há relação, mas qual é a verdade?
Para entender melhor o estudo a seguir, primeiro é preciso entender os critérios: índice de Gini e IDH. índice de Gini é um medidor de desigualdade econômica que vai de 0 a 100. 100 é a desigualdade máxima, com todo o dinheiro do país se encontrando na mão de um único sujeito, já 0 é o contrário, todo o dinheiro do país dividido igualmente entre seus cidadãos. Obviamente, não é possível atingir um nem outro, mas há uma grande variação do valor dependendo do país considerado.
Serão consideradas cinco faixas de classificação: com índice de Gini 0,00 a 25,00, é considerada desigualdade muito baixa. Se Gini vai de 25,01 a 38,00, a desigualdade é considerada baixa. Com índice variando de 38,01 a 51,00, a desigualdade é considerada média. Se o índice está entre 51,01 e 65,00, a desigualdade é alta. Se o índice está entre 65,01 e 100, a desigualdade é muito alta.
IDH é o Índice de Desenvolvimento Humano, um medidor de qualidade de vida que também vai de 0 a 1, sendo 1 o máximo e 0 o mínimo. O IDH é medido em quatro faixas diferentes: de 0 a 0,550 é considerado baixo, de 0,551 até 0,700 é considerado médio, de 0,701 até 0,800 é considerado alto e de 0,801 até 1,000 é considerado muito alto.

Os dados serão analisados de duas maneiras: a primeira, partindo dos dados de IDH e chegando a uma conclusão sobre os índices de Gini e a segunda, partindo dos índices de Gini e chegando a uma conclusão sobre o IDH. Os dados de cada país são conferidos na imagem 1 e as médias na imagem 2:

Imagem 1 - Lista de países com dados, em ordem crescente de índice de Gini
Imagem 2 - Tabela resumo
Partindo dos dados de IDH: o índice de Gini médio do mundo é 39,65. Dos países com IDH baixo, o índice de Gini médio é 42,74; Dos países com IDH médio, o índice de Gini médio é 40,89; Dos países com IDH alto, o índice de Gini médio é de 41,15 (curiosamente, os países com IDH alto são em média pouca coisa mais desigual que os de IDH médio), mas ao analisarmos os países com IDH muito alto, a conta muda bruscamente: o índice de Gini cai para 34,05. 
Agora analisando ao contrário, partindo dos índices de Gini e daí buscando se há relação entre desigualdade e desenvolvimento. O IDH médio de todos os países é 0,678, semelhante ao do Paraguai. O IDH médio dos países de desigualdade alta é de 0,565 (semelhante à República do Congo), um número considerado médio, pouco acima do limite divisório entre médio e baixo. Para países de desigualdade média, o IDH médio sobe pra 0,637 (número similar ao do Vietnã), um número ainda considerado médio mas 12,27% maior. Ao analisarmos os países com desigualdade baixa, o IDH médio sobe mais 8,63% e vai para 0,692 (a Samoa é o país mais perto deste valor), perto do limite entre IDH médio e IDH alto. Mas se utilizarmos apenas os países com desigualdade muito baixa, o IDH médio sobe para 0,786, número alto e perto do limite entre o alto e o muito alto. A Belarus tem um valor de IDH igual, para melhor comparação.
Calculando a correlação, se obtém um valor negativo (isto é, enquanto um aumenta outro diminui) e é possível indicar que há uma correlação, ainda que leve, entre desigualdade econômica e desenvolvimento humano.

sábado, 17 de outubro de 2015

Quem foi por mais tempo ex-governante do Brasil?

Esta postagem busca desvendar a seguinte pergunta: quem ficou por mais tempo na condição de ex-presidente ou ex-imperador do Brasil, ou resumindo, de ex-Chefe de Estado? Primeiro vejamos a lista dos Chefes de Estado com seus respectivos fins de mandato e data do fim de período como ex-Chefe de Estado.

Tabela 1 - Governantes e seu tempo (em dias) como ex-governante

Alguns pontos devem ser destacados: no caso de Ranieri Mazzili e Getúlio Vargas (ambos cumpriram dois governos) o tempo como ex-Chefe de Estado no primeiro mandato será o intervalo entre o fim do primeiro e o começo do segundo mandato. No segundo governo contará o tempo até sua data de falecimento. Nos outros políticos, será contado o tempo até sua data de falecimento, com exceção de José Sarney, Fernando Collor, FHC, Lula e Dilma Rousseff, pois estão vivos. A lista em anos, meses e dias é a seguinte:

Tabela 2 - Governantes e seu tempo como ex-governante em anos, meses e dias
É o líder, com muita folga (47 anos como ex-presidente, 15 anos a mais que o segundo) Venceslau Brás, presidente do Brasil durante a Primeira Guerra Mundial. Ele só viria a falecer em 1966, com 98, também tendo sido o presidente mais longevo da história do país. D. João VI (mais conhecido por esse nome, embora tenha sido oficialmente chamado de D. João I no Brasil) e Afonso Pena estão zerados pelo motivo de que faleceram enquanto ainda estavam nos seus mandatos. Dilma Rousseff também está zerada, mas pelo motivo que desde 01/01/2010 é presidenta do Brasil ininterruptamente. Fazendo uma média, chegamos a conclusão que o tempo médio de vida de um ex-Chefe de Estado no Brasil pós mandato é de aproximadamente 11 anos e 8 meses.

domingo, 11 de outubro de 2015

Crescimento de religiões no Brasil - Parte 1

Nas pesquisas feitas pelo IBGE para melhor entendimento da demografia, um dos itens perguntados é a religião das pessoas. A questão é: qual a religião que mais cresce? E a que menos cresce? Quando a religião X vai ser maioria?
Esta postagem pretende analisar isso. Alguns marcos temporais serão definidos: para religiões com taxa de fiéis crescente, eles serão: quando a religião passa a ser considerada relevante em termos estatísticos (isto é, quando ela englobar ao menos 0,005%), quando a religião passa a ser maioria (isto é, quando atingir mais de 50% da população) e quando ela for total (quando toda a população aderir à religião). Para religiões com taxa de fiéis decrescente, os marcos serão deixar de ser maioria (ser menor que 50%) e deixar de ser relevante (ser menor que 0,005%). O crescimento da população brasileira na primeira década do terceiro milênio foi de 112,19% (uma média de 1,17% ao ano). Para esta postagem, será simulado que a taxa de crescimento da população quanto do número de fiéis se mantenha constante durante o passar dos anos (o que não é uma realidade e por isso essa postagem não é utilizada como previsão). A prmeira religião a ser analisada é o Islã.
Segundo o Censo de 2000, havia 272.39 islâmicos no Brasil e 35.167 em 2010. Um crescimento de 29,11% (2,59% ao ano). Sendo em 2010 os islâmicos 0,02% da população, já é uma religião estatisticamente relevante. A projeção para o futuro é a seguinte:


O islã passaria a ser a religião principal do Brasil em 2.577 e 50 anos depois (em 2.627) seria a religião de todos os brasileiros (que seriam cerca de 243 bilhões). A próxima religião a ser analisada é o hinduísmo, religião proveniente da região da Índia. Em 2000 tinha apenas 2905 praticantes brasileiros com 5.675 praticantes em 2010. O crescimento foi de 95,35% (6,93% ao ano), uma taxa muito alta. Não é hoje estatisticamente relevante, contendo apenas 0,0029% dos brasileiros. Mas quando esse cenário mudaria pode ser visto na imagem abaixo:


Em 2020 o hinduísmo passaria a ser relevante, para ser maioria em 2186 e a religião de todos os brasileiros em 2199. O budismo também é de origem indiana mas tem diferenças quanto a sua população no Brasil: além de ser muito maior, tem um crescimento bem menor. Em 2000, havia 214.873 budistas e uma década depois 243.966. O número de budistas cresceu 13,54%, um taxa de 1,28% ao ano, muito semelhante o 1,17% da população, fazendo com que a sua taxa de fiéis demora muito a mudar, como vemos na tabela abaixo.


O budismo já é significativo, compreendendo 0,13% da população brasileira em 2010. Mas para ser maioria demoraria mais de 5 mil anos: só o seria em 7419. E mais de 500 anos depois (em 8047) seria a religião de todo brasileiro. Agora religiões afro-brasileiras: umbanda e candomblé. A umbanda, significantemente maior que a Candomblé, englobava 0,23% dos brasileiros em 2000 contra 0,21% em 2010 (397.431 fiéis em 2000 contra 407.331 em 2010. Uma taxa de crescimento muito pequena, apenas 2,49% na década e 0,25% ao ano. Como a taxa de crescimento anula da população é de 1,17%, a umbanda é uma religião com taxa de fiéis decrescente.


Já sendo significante, a umbanda deixaria de o ser em 2422. A religião candomblé tinha em 2000 127.582 fiéis e em 2010 167.363 fiéis. Cresceu 31,18%, 2,75% ao ano. Já é relevante, contendo 0,09% dos brasileiros em 2010. É uma religião crescente.


O candomblé teria um glorioso século XXV, no qual em 2419 passaria a ser religião da maioria dos brasileiros e em 2463 a religião de todos os mesmos. O espiritismo (também chamado de kardecismo) é uma religião que cresce muito rápido e é a maior religião não-cristã do Brasil. Em 2010 tinha 3,8 milhões de seguidores e 10 anos trás disso 2,2 milhões. No período, cresceu 70,12% - 5,46% ao ano.


Já sendo relevante, o espiritismo passaria a ser maioria em 2088 (ano relativamente próximo comparado ao das religiões anteriores e e 2104 (menos de 90 anos a partir de hoje), seria a religião de todos os brasileiros. Já o judaísmo não têm tantos adeptos no Brasil, apenas 107 mil em 2010, que desde 2000 cresceram 23,62% (2,14% ao ano) e sua taxa de fiéis ao longo das décadas seria a seguinte:


Com uma taxa de crescimento menor, os judeus só passariam a ser maioria no século XXVIII - maioria no começo do século, e, 2717 e totalidade dos brasileiros em 2789.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Chefes de Estado brasileiros e suas procedências

Desde sua independência em 1822, o Brasil passou por fases de Império e de República (presidencialista e parlamentarista). No entanto, vários presidentes foram de vários estados diferentes. Quantos foram gaúchos? Quantos foram paulistas? Quantos foram do Sul? Quantos foram do Nordeste? Fomos mais tempo governados por cariocas ou paulistas? Questões que busco responder nesta postagem. Nos tempos de Império (de 1822 a 1889), o Chefe de Estado era o imperador (ou imperadores) e era personificação do Brasil como país. Os imperadores foram os seguintes, com nome, data de começo, de fim de seu período como Chefe de Estado, tempo que governaram e local que nasceram (para melhor entendimento, separei em estados. bem, como obviamente Portugal não é um estado brasileiro, teve que ser colocado só como Portugal):

Tabela 1 - Imperadores do Brasil

O Brasil teve, de jure (termo latino possivelmente traduzido como na teoria) TRÊS imperadores. O primeiro, proclamador da independência, foi o magnânimo Pedro IV de Portugal, aqui conhecido como Dom Pedro I. Bem, como você deve saber, ele era...português, tendo governado de 1822 até 1831, quando abdicou. Vale lembrar que quando digo que ele era português, não nego em nenhum momento nenhuma brasilidade de D. Pedro I nem digo que foi ilegítima, apenas que nasceu no que era Reino de Portugal no momento de seu nascimento (no longínquo ano de 1767). No entanto, embora o movimento de independência do Brasil tenha de fato sido muito articulado pela monarquia portuguesa, Portugal não aceitou prontamente a independência do Brasil, havendo uma guerra e o não reconhecimento do Império do Brasil como país independente. A Grã-Bretanhã (embrião do atual Reino Unido) mediou um acordo entre os dois países, que só se entenderam em 1825 (embora D. João VI, então Rei de Portugal, fosse pai de D. Pedro I. imperador brasileiro). Como parte do Acordo Luso-Brasileiro, o Rei de Portugal seria simultaneamente Imperador do Brasil (ainda que não tivesse real poder administrativo) e tivemos no Brasil diarquia. O título de imperador dado a D. João VI (por essas bandas, D. João I do Brasil) era simbólico e foi extinguido com a morte de D. João VI (ou I, como preferir). Em 1831, com a abdicação de D. Pedro I, sobe ao poder D. Pedro II (que ainda não governava, até pelo fato de ter apenas cinco anos à época). D. Pedro II era nascido em 1825 no que hoje é Estado do Rio de Janeiro no então Império do Brasil, e pode ser considerado o primeiro governante legitimamente brasileiro.
Em 1889 é proclamada a República e o Chefe de Estado passa a ser o presidente. E a lista de presidentes é a seguinte:

Tabela 2 - Presidentes do Brasil

Fica o destaque para Itamar Franco, ser born at sea, isto é, nascido no mar, num cruzeiro perto da costa da Bahia. Compilando todos os dados, temos as seguintes estatísticas para cada estado:

Tabela 3 - Tempo de governo por estado

Um grande destaque para o RJ e o RS. Embora sejam estados com números parecidos em tempos de república, no Império fomos reinados por um fluminense por 68 anos a fio, marca difícil de bater. Dividindo por regiões, a tabela fica assim:

Tabela 4 - Tempo de governo por rgião

Domínio forte da Região Sudeste, enquanto o resto das regiões somadas chega apenas a um número semelhante ao dias que fomos governados por um fluminense. A Região Sul se destaca em segundo lugar, principalmente por causa do RS.

O começo de tudo

Pois bem, sou Gustavo Pedroso, engenheiro civil e futuro historiador. Também sou dono do Estatísticas de Futebol (acompanhem) e venho fazer este projeto paralelo, para estatísticas não relacionadas a futebol, tópicos como política, história, economia e outros assuntos mais, alguns mais importantes e outros mais triviais.