segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Desigualdade e desenvolvimento

Muito se fala no Brasil da relação entre desigualdade econômica e violência, desigualdade econômica e desenvolvimento, há quem advogue que a relação entre ser mais igual e ser mais desenvolvido é intrínseca, embora também haja quem advogue que não há relação, mas qual é a verdade?
Para entender melhor o estudo a seguir, primeiro é preciso entender os critérios: índice de Gini e IDH. índice de Gini é um medidor de desigualdade econômica que vai de 0 a 100. 100 é a desigualdade máxima, com todo o dinheiro do país se encontrando na mão de um único sujeito, já 0 é o contrário, todo o dinheiro do país dividido igualmente entre seus cidadãos. Obviamente, não é possível atingir um nem outro, mas há uma grande variação do valor dependendo do país considerado.
Serão consideradas cinco faixas de classificação: com índice de Gini 0,00 a 25,00, é considerada desigualdade muito baixa. Se Gini vai de 25,01 a 38,00, a desigualdade é considerada baixa. Com índice variando de 38,01 a 51,00, a desigualdade é considerada média. Se o índice está entre 51,01 e 65,00, a desigualdade é alta. Se o índice está entre 65,01 e 100, a desigualdade é muito alta.
IDH é o Índice de Desenvolvimento Humano, um medidor de qualidade de vida que também vai de 0 a 1, sendo 1 o máximo e 0 o mínimo. O IDH é medido em quatro faixas diferentes: de 0 a 0,550 é considerado baixo, de 0,551 até 0,700 é considerado médio, de 0,701 até 0,800 é considerado alto e de 0,801 até 1,000 é considerado muito alto.

Os dados serão analisados de duas maneiras: a primeira, partindo dos dados de IDH e chegando a uma conclusão sobre os índices de Gini e a segunda, partindo dos índices de Gini e chegando a uma conclusão sobre o IDH. Os dados de cada país são conferidos na imagem 1 e as médias na imagem 2:

Imagem 1 - Lista de países com dados, em ordem crescente de índice de Gini
Imagem 2 - Tabela resumo
Partindo dos dados de IDH: o índice de Gini médio do mundo é 39,65. Dos países com IDH baixo, o índice de Gini médio é 42,74; Dos países com IDH médio, o índice de Gini médio é 40,89; Dos países com IDH alto, o índice de Gini médio é de 41,15 (curiosamente, os países com IDH alto são em média pouca coisa mais desigual que os de IDH médio), mas ao analisarmos os países com IDH muito alto, a conta muda bruscamente: o índice de Gini cai para 34,05. 
Agora analisando ao contrário, partindo dos índices de Gini e daí buscando se há relação entre desigualdade e desenvolvimento. O IDH médio de todos os países é 0,678, semelhante ao do Paraguai. O IDH médio dos países de desigualdade alta é de 0,565 (semelhante à República do Congo), um número considerado médio, pouco acima do limite divisório entre médio e baixo. Para países de desigualdade média, o IDH médio sobe pra 0,637 (número similar ao do Vietnã), um número ainda considerado médio mas 12,27% maior. Ao analisarmos os países com desigualdade baixa, o IDH médio sobe mais 8,63% e vai para 0,692 (a Samoa é o país mais perto deste valor), perto do limite entre IDH médio e IDH alto. Mas se utilizarmos apenas os países com desigualdade muito baixa, o IDH médio sobe para 0,786, número alto e perto do limite entre o alto e o muito alto. A Belarus tem um valor de IDH igual, para melhor comparação.
Calculando a correlação, se obtém um valor negativo (isto é, enquanto um aumenta outro diminui) e é possível indicar que há uma correlação, ainda que leve, entre desigualdade econômica e desenvolvimento humano.

sábado, 17 de outubro de 2015

Quem foi por mais tempo ex-governante do Brasil?

Esta postagem busca desvendar a seguinte pergunta: quem ficou por mais tempo na condição de ex-presidente ou ex-imperador do Brasil, ou resumindo, de ex-Chefe de Estado? Primeiro vejamos a lista dos Chefes de Estado com seus respectivos fins de mandato e data do fim de período como ex-Chefe de Estado.

Tabela 1 - Governantes e seu tempo (em dias) como ex-governante

Alguns pontos devem ser destacados: no caso de Ranieri Mazzili e Getúlio Vargas (ambos cumpriram dois governos) o tempo como ex-Chefe de Estado no primeiro mandato será o intervalo entre o fim do primeiro e o começo do segundo mandato. No segundo governo contará o tempo até sua data de falecimento. Nos outros políticos, será contado o tempo até sua data de falecimento, com exceção de José Sarney, Fernando Collor, FHC, Lula e Dilma Rousseff, pois estão vivos. A lista em anos, meses e dias é a seguinte:

Tabela 2 - Governantes e seu tempo como ex-governante em anos, meses e dias
É o líder, com muita folga (47 anos como ex-presidente, 15 anos a mais que o segundo) Venceslau Brás, presidente do Brasil durante a Primeira Guerra Mundial. Ele só viria a falecer em 1966, com 98, também tendo sido o presidente mais longevo da história do país. D. João VI (mais conhecido por esse nome, embora tenha sido oficialmente chamado de D. João I no Brasil) e Afonso Pena estão zerados pelo motivo de que faleceram enquanto ainda estavam nos seus mandatos. Dilma Rousseff também está zerada, mas pelo motivo que desde 01/01/2010 é presidenta do Brasil ininterruptamente. Fazendo uma média, chegamos a conclusão que o tempo médio de vida de um ex-Chefe de Estado no Brasil pós mandato é de aproximadamente 11 anos e 8 meses.

domingo, 11 de outubro de 2015

Crescimento de religiões no Brasil - Parte 1

Nas pesquisas feitas pelo IBGE para melhor entendimento da demografia, um dos itens perguntados é a religião das pessoas. A questão é: qual a religião que mais cresce? E a que menos cresce? Quando a religião X vai ser maioria?
Esta postagem pretende analisar isso. Alguns marcos temporais serão definidos: para religiões com taxa de fiéis crescente, eles serão: quando a religião passa a ser considerada relevante em termos estatísticos (isto é, quando ela englobar ao menos 0,005%), quando a religião passa a ser maioria (isto é, quando atingir mais de 50% da população) e quando ela for total (quando toda a população aderir à religião). Para religiões com taxa de fiéis decrescente, os marcos serão deixar de ser maioria (ser menor que 50%) e deixar de ser relevante (ser menor que 0,005%). O crescimento da população brasileira na primeira década do terceiro milênio foi de 112,19% (uma média de 1,17% ao ano). Para esta postagem, será simulado que a taxa de crescimento da população quanto do número de fiéis se mantenha constante durante o passar dos anos (o que não é uma realidade e por isso essa postagem não é utilizada como previsão). A prmeira religião a ser analisada é o Islã.
Segundo o Censo de 2000, havia 272.39 islâmicos no Brasil e 35.167 em 2010. Um crescimento de 29,11% (2,59% ao ano). Sendo em 2010 os islâmicos 0,02% da população, já é uma religião estatisticamente relevante. A projeção para o futuro é a seguinte:


O islã passaria a ser a religião principal do Brasil em 2.577 e 50 anos depois (em 2.627) seria a religião de todos os brasileiros (que seriam cerca de 243 bilhões). A próxima religião a ser analisada é o hinduísmo, religião proveniente da região da Índia. Em 2000 tinha apenas 2905 praticantes brasileiros com 5.675 praticantes em 2010. O crescimento foi de 95,35% (6,93% ao ano), uma taxa muito alta. Não é hoje estatisticamente relevante, contendo apenas 0,0029% dos brasileiros. Mas quando esse cenário mudaria pode ser visto na imagem abaixo:


Em 2020 o hinduísmo passaria a ser relevante, para ser maioria em 2186 e a religião de todos os brasileiros em 2199. O budismo também é de origem indiana mas tem diferenças quanto a sua população no Brasil: além de ser muito maior, tem um crescimento bem menor. Em 2000, havia 214.873 budistas e uma década depois 243.966. O número de budistas cresceu 13,54%, um taxa de 1,28% ao ano, muito semelhante o 1,17% da população, fazendo com que a sua taxa de fiéis demora muito a mudar, como vemos na tabela abaixo.


O budismo já é significativo, compreendendo 0,13% da população brasileira em 2010. Mas para ser maioria demoraria mais de 5 mil anos: só o seria em 7419. E mais de 500 anos depois (em 8047) seria a religião de todo brasileiro. Agora religiões afro-brasileiras: umbanda e candomblé. A umbanda, significantemente maior que a Candomblé, englobava 0,23% dos brasileiros em 2000 contra 0,21% em 2010 (397.431 fiéis em 2000 contra 407.331 em 2010. Uma taxa de crescimento muito pequena, apenas 2,49% na década e 0,25% ao ano. Como a taxa de crescimento anula da população é de 1,17%, a umbanda é uma religião com taxa de fiéis decrescente.


Já sendo significante, a umbanda deixaria de o ser em 2422. A religião candomblé tinha em 2000 127.582 fiéis e em 2010 167.363 fiéis. Cresceu 31,18%, 2,75% ao ano. Já é relevante, contendo 0,09% dos brasileiros em 2010. É uma religião crescente.


O candomblé teria um glorioso século XXV, no qual em 2419 passaria a ser religião da maioria dos brasileiros e em 2463 a religião de todos os mesmos. O espiritismo (também chamado de kardecismo) é uma religião que cresce muito rápido e é a maior religião não-cristã do Brasil. Em 2010 tinha 3,8 milhões de seguidores e 10 anos trás disso 2,2 milhões. No período, cresceu 70,12% - 5,46% ao ano.


Já sendo relevante, o espiritismo passaria a ser maioria em 2088 (ano relativamente próximo comparado ao das religiões anteriores e e 2104 (menos de 90 anos a partir de hoje), seria a religião de todos os brasileiros. Já o judaísmo não têm tantos adeptos no Brasil, apenas 107 mil em 2010, que desde 2000 cresceram 23,62% (2,14% ao ano) e sua taxa de fiéis ao longo das décadas seria a seguinte:


Com uma taxa de crescimento menor, os judeus só passariam a ser maioria no século XXVIII - maioria no começo do século, e, 2717 e totalidade dos brasileiros em 2789.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Chefes de Estado brasileiros e suas procedências

Desde sua independência em 1822, o Brasil passou por fases de Império e de República (presidencialista e parlamentarista). No entanto, vários presidentes foram de vários estados diferentes. Quantos foram gaúchos? Quantos foram paulistas? Quantos foram do Sul? Quantos foram do Nordeste? Fomos mais tempo governados por cariocas ou paulistas? Questões que busco responder nesta postagem. Nos tempos de Império (de 1822 a 1889), o Chefe de Estado era o imperador (ou imperadores) e era personificação do Brasil como país. Os imperadores foram os seguintes, com nome, data de começo, de fim de seu período como Chefe de Estado, tempo que governaram e local que nasceram (para melhor entendimento, separei em estados. bem, como obviamente Portugal não é um estado brasileiro, teve que ser colocado só como Portugal):

Tabela 1 - Imperadores do Brasil

O Brasil teve, de jure (termo latino possivelmente traduzido como na teoria) TRÊS imperadores. O primeiro, proclamador da independência, foi o magnânimo Pedro IV de Portugal, aqui conhecido como Dom Pedro I. Bem, como você deve saber, ele era...português, tendo governado de 1822 até 1831, quando abdicou. Vale lembrar que quando digo que ele era português, não nego em nenhum momento nenhuma brasilidade de D. Pedro I nem digo que foi ilegítima, apenas que nasceu no que era Reino de Portugal no momento de seu nascimento (no longínquo ano de 1767). No entanto, embora o movimento de independência do Brasil tenha de fato sido muito articulado pela monarquia portuguesa, Portugal não aceitou prontamente a independência do Brasil, havendo uma guerra e o não reconhecimento do Império do Brasil como país independente. A Grã-Bretanhã (embrião do atual Reino Unido) mediou um acordo entre os dois países, que só se entenderam em 1825 (embora D. João VI, então Rei de Portugal, fosse pai de D. Pedro I. imperador brasileiro). Como parte do Acordo Luso-Brasileiro, o Rei de Portugal seria simultaneamente Imperador do Brasil (ainda que não tivesse real poder administrativo) e tivemos no Brasil diarquia. O título de imperador dado a D. João VI (por essas bandas, D. João I do Brasil) era simbólico e foi extinguido com a morte de D. João VI (ou I, como preferir). Em 1831, com a abdicação de D. Pedro I, sobe ao poder D. Pedro II (que ainda não governava, até pelo fato de ter apenas cinco anos à época). D. Pedro II era nascido em 1825 no que hoje é Estado do Rio de Janeiro no então Império do Brasil, e pode ser considerado o primeiro governante legitimamente brasileiro.
Em 1889 é proclamada a República e o Chefe de Estado passa a ser o presidente. E a lista de presidentes é a seguinte:

Tabela 2 - Presidentes do Brasil

Fica o destaque para Itamar Franco, ser born at sea, isto é, nascido no mar, num cruzeiro perto da costa da Bahia. Compilando todos os dados, temos as seguintes estatísticas para cada estado:

Tabela 3 - Tempo de governo por estado

Um grande destaque para o RJ e o RS. Embora sejam estados com números parecidos em tempos de república, no Império fomos reinados por um fluminense por 68 anos a fio, marca difícil de bater. Dividindo por regiões, a tabela fica assim:

Tabela 4 - Tempo de governo por rgião

Domínio forte da Região Sudeste, enquanto o resto das regiões somadas chega apenas a um número semelhante ao dias que fomos governados por um fluminense. A Região Sul se destaca em segundo lugar, principalmente por causa do RS.

O começo de tudo

Pois bem, sou Gustavo Pedroso, engenheiro civil e futuro historiador. Também sou dono do Estatísticas de Futebol (acompanhem) e venho fazer este projeto paralelo, para estatísticas não relacionadas a futebol, tópicos como política, história, economia e outros assuntos mais, alguns mais importantes e outros mais triviais.